Rica Soares está prestes a lançar seu disco O Pleonasmo Redundante, com 11 canções inéditas escritas e produzidas pelo artista entre 2016 e 2017. Pop-rock moderno e inteligente, com letras sagazes, influenciadas pelos ídolos do compositor, de Belchior e Raul Seixas a Lou Reed e Bob Dylan. A sonoridade está ao gosto dos tempos modernos, inspirada nos trabalhos dos grandes produtores contemporâneos da música pop, como Danger Mouse e Mark Ronson.

Rica Soares despontou no cenário da música brasileira em 2000, quando ganhou o último dos grandes festivais de TV brasileiros, realizado naquele ano pela Rede Globo de Televisão. Ao lado do legendário guitarrista e arranjador Luis Carlini, obteve unanimidade do júri composto por gigantes da indústria, como o fundador da gravadora Som Livre, João Araújo e o poeta e compositor Wally Salomão entre outros. Depois disso emrgulhou na cena autoral paulistana, onde se envolveu no projeto Clube Caiubi, que reuniu um grupo sui generis de compositores e participou do grupo Os Tropeçalistas, uma das últimas armações do genial maestr Zé Rodrix antes de sua prematura morte em 2009.

O álbum tem lançamento previsto para novembro de 2017 nas principais plataformas digitais.

Clique para conferir as letras e ouvir as músicas do álbum:

1. Deuses Astronautas

Será que a biotecnologia
Consertará o que não conseguimos consertar?
Um parafuso a mais no gene mau do cromossomo X
E a velha vilania humana se extinguirá?
E o que será então do último imperfeito
Num mundo que não lhe compreenderá?
Conseguirá fugir com Eva
Para uma longínqua colônia espacial
Onde a história se reescreverá?
Contra tudo e contra todos?
Será que ele conseguirá
Antes da última onda chegar?
Antes da grande onda passar?

2. Um Cara em Busca de Si Mesmo

Um certo dia eu procurei por mim
Mas não achei onde eu me escondia
Intrigado pensei “Como assim?”
Nem o celular eu atendia

Não estava embaixo da cama
Nem atrás do sofá
Nem dentro do armário
No ralo da pia

Nem largado no mundo
Nem na mesa do bar
Nem no IML
Nem na delegacia

Naquele dia eu fui me procurar
Nos lugares que eu frequentava
Mas nem sinal de mim por lá
Ninguém fazia ideia de onde eu andava

Nem na Madalena
Nem no Baixo Leblon
Nem no Bom Fim
Nem na Vila Maria

Na casa da mãe Joana
Nem no beleléu
Nem na PQP
Nem na casa do chapéu

E eu saí pela cidade a rodar
Caminhando por aí a esmo
E todo mundo começou a cantar
Lá vai um cara em busca de si mesmo

(solo)

Foi só então na hora de dormir
Que eu entendi o que se passava
Esvaziando os bolsos, olha só
Adivinha onde é que eu estava

Entre o CPF
E a habilitação
Entre dois voando
E aquele na mão

Entre os mesmos dilemas
Entre ir e ficar
Entre velho poema
E umas conta pra pagar

Entre o céu e o inferno
Entre o bem e o mal
Entre um novo começo
E um velho final

Nem em Peny Lane
Nem naquele festival
Nem na casa dIrene
Nem em Porto Alegre tchau

3. Sossegado Desespero

Tudo meio torto, meio reto
Meio certo, meio errado
Tudo meio atravessado, entrando meio que de lado, e já nem sei

Não sei ‘lo que se pasa en la bagasa’
Não tô entendendo xongas
Marifongas peripléticas
Chovando nas frumas do ipocrei

No mais, tá tranquilo, tá sereno
Tudo meio maizomenos
Tá doendo se eu respiro
e quando eu amo, de resto tudo ok.

Então viva, viva eu e viva tudo
Viva o Chico Barrigudo
Viva o suco da saliva, a sociedade alternativa
Salve o Rei

Que agora o bizarro é o novo normal
Agora o xarope é o novo legal
Daqui pra frente 9 é o novo 6
Mas tudo ‘dendalei
Tudo’dendalei

Tudo meio morto meio vivo
Meio claro meio escuro
Na saída pro futuro tinha um muro
Que eu ainda não busquei

E agora no hablo más su língua
Não tô entendendendo lhufas
Maritufas policréticas
Crepando nas bremas do randusclei

No mais, tá suave,, tá maneiro
Sossegado desespero
Tipo o norte tá pra baixo
Tem que ser macho mas acho que ainda rola

Então viva tudo
Chega fevereiro
Viva o povo brasileiro
Viva a fila da lotérica
Deus salve a America e
Viva o Rei

Que agora o bizarro é o novo normal
Agora o xarope é o novo legal
Senhoras e senhores
Bem-vindos vocês
À hora e à vez do grande xablau!

4. Kid

A gente se conhece não tem nem meia hora
Mas parece que ja faz umas três
Eu falo de amor, você fala djavanês

E fica me contando de um mundo de coisas
Que acontece dentro desse vestido
É quando eu deixo de querer um sentido

E ainda que eu ache que dificilmente
Como eu não sou do tipo que desiste
Eu peço uma cerveja e vou pra um novo round

Ei, Kid, não amar pra não sofrer
É como não jogar pra não perder
Não ver o fim do filme pra não chorar

É como não sonhar pra não acordar
Ei, vem cá dormir de novo
Pro sonho voltar

A gente se conhece desde quase agora
Mas parece que já faz mais de mês
Você fala de amor, eu falo dylanês

E quando vai embora leva junto a lua
Eu fico sozinho olhando as estrelas
Ah, se pelo menos eu pudesse comê-las

Coisas de um coração que desastradmente
Acha que devia ser diferente
Mais uma cerveja eele fica em paz
Com a vida que podia ser, Kid, mais!

5. Homem-Pássaro de Alcatraz

Homem-pássaro de Alcatraz
Voa alto dentro desta cela para conquistar a paz
Grades de aço não podem te parar
Lá fora todos pensam que são livres
Mas eles não sabem voar

Vivemos todos dentro de uma jaula, a liberdade é uma ilusão
Nos mesmo nos julgamos, nós mesmos nos condenamos à prisão
Contemplamos pela janela um mar de possibilidades reais
Sem saber que em nossas mentes é que se encontram as chaves de Alcatraz

Na prisão que existe dentro da prisão que existe dentro da prisão
Nossas almas sufocadas, confinadas clamam por libertação
Somente com a compreensão que o auto-conhecimento nos traz
Conseguiremos a chave-mestra que abre todos os portões de Alcatraz

E há mais coisas, meu amigo William Shakespeare já dizia
Entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia
Aquietando nossas mentes numa sintonia de amor e paz
Quebraremos finalmente as correntes que nos prendem a Alcatraz

6. Balada do Cavaleiro da Triste Figura

Triste como todo palhaço
Perdido no espaço, Smith?
Ou foi o chão que sumiu?

A ferrugem a comer seus nervos de áco
Enquanto os ratos abandonam o navio

A vida, enquanto baleia branca,
É trôpega, manca
Mas não morde o anzol
E a ferida que nunca estanca
Deixa manchas mornas no lençol

Vai, cavaleiro da triste figura
Pra que a cura?
Deixa doer
Vai, noite adentro, vida afora
Até a hora de anoitecer

Meia noite, as luzes acesas
No jardim do bem contra o mal
Com seus dentes e suas certezas
Lá vêm eles pra caçada fina

E eles vêm com balas de prata
E eles matam em nome da luz
Eles vêm de terno e gravata
Com o alho, a estaca e a cruz

Vai, cavaleiro da triste figura
Pra que a cura?
Deixa doer
Vai, noite adentro, vida afora
Até a hora de anoitecer

7. O vírus

Mariazinha engravidou
Fazendo Sexo Virtual
E à humanidade se apresentou
O Espírito Santo Digital

E quando ele trouxe a luz
Por entre geeks e hackers andou
E num gesto de boa vontade por todas as comunidades
Um cântico ecoou:

Senhor perdoa os nossos crimes virtuais
A palavra mal escrita, as ofensas a toa
E os download ilegais

Ele veio anunciar
Novos tempos pras novas leis
A multiplicação das palavras das imagens e dos sons
A queda dos velhos reis

E com uma nova compreensão 2.0 ali então
A nova ordem se instaurou:
Pelo mal não te envereda mas atire a primeira pedra
Quem nunca compartilhou-ou-ou

Senhor perdoa os nossos crimes virtuais
A palavra mal escrita, as ofensas a toa
E os download ilegais

E a boa nova se espalhou pelos blogs, pelos portais
E por milhões de caixas postais se multiplicou
E deu até nos velhos jornais

E uma nova onda se fez
Daquelas coisas que Ele falou
E as bandas se alargaram, os desconectados se conectaram
E foi assim que tudo começou-ou-ou

Senhor perdoa os nossos crimes virtuais
A palavra mal escrita, as ofensas a toa
E os download ilegais

8. Canção Pro Tempo Passar Devagar

Os carros passam, as pessoas vêm e vão
São como peças de um quebra-cabeça vivo
Procurando a própria solução
Onde tudo se encaixe
Cada coisa com sua função
Cada peça com seu uso
Pra cada porca um parafuso
Uma explicação

O tempo voa com os compassos desta canção
A minha voz que estava ali naquele verso
Agora já é só recordação
Pra logo mais virar história
Um post velho na memória de alguém
Os fracassos e as glórias
As derrotas, as vitórias
Mas tudo bem, meu bem

Sempre a um passo da eternidade
Presos entre a surpresa e a saudade
Dentro de um flash de realidade
Vem,
Pega minha mão
Sente o meu calor
Meu coração
Enquanto ele ainda faz tum-dum-tum-dum-tum-dum

Se tudo passa, se nada permanecerá
Eu fiz então para você
Esta canção pro tempo passar devagar
Que cada beijo seja um filme
Cada sorriso seja um filme bom
Que cada abraço seja um quadro
Pendurado na parede do seu coração

9. Eu, o Nico e o Papaléguas

Eu e o Nico e o Papaléguas
Tomando umas e falando da vida
Traçando uns planos, tocando uns pianos
Trocando um monte de ideia repetida

Eu disse: – Não, como assim, cê não tá ligado, não é nada disso daí!
O Papaléguas só olhava pra gente e fazia bip-bip

Eu e o Nico e o Papaléguas
Tomando outras e falando das coisas
E veio dois, veio outras depois
Bolinho de arroz, tal e coisa e pois é

Eu disse: – Não, como assim, cê não tá ligado, não é nada disso daí!
O Papaléguas só olhava pra gente e fazia bip-bip

Eu e o Nico e o Papaléguas
Pagando a conta na maior choradeira
Parada pronta mas segura as pontas:
Lá vem o garçom trazendo a saideira!

Eu disse: Ah, agora sim vocês estão ligados que é tipo isso daí
O Papaléguas só olhava pra gente e fazia bip-bip

O Papaléguas: bip-bip
O Papaléguas só olhava pra gente e fazia…

10. Último Tango em Neverland

Ela quebrou meu sapatinho de cristal
Me olhou com aquela cara e disse “”Ops! Foi mals!”
Lá no fundo eu fiquei puto, mas eu não disse nada
Pega mal um cara grande acreditando em contos de fadas

Eu só acho que não precisava ser assim:
Ela cheirou todo o meu pó de pirilim-pim-pim
Quando o encanto acabou, a bruxa apareceu
Me conta agora o que é que eu faço, espelho meu!

Saí para pegar mais um pouquinho de magia dísnei
Pra ver se esse patinho feio finalmente desencanta
Mais um pouquinho, só mais um pouquinho de magia dísnei
E esse patinho feio finalmente vira cisne!

Selei meu cavalo branco e risquei o chão
Tirei ela da ideia matando dragão
Meu amigo chapeleiro bem que me dizia
Que o cogumelo da Alice era bom, mas que azia!

E dependendo do conceito de um final feliz
Deu tudo certo no finzinho: só se fez o que se quis
A princesa desbundou, se casou com a fada
E o cavaleiro solitário ficou brincando com a espada

Saí para pegar mais um pouquinho de magia dísnei
Pra ver se esse patinho feio finalmente desencanta
Mais um pouquinho, só mais um pouquinho de magia dísnei
E esse patinho feio finalmente vira cisne!

11. Bonde do Apocalipse

Quando as trombetas soarem
O céu vai escurecer
O chão vai tremer, a terra se abrir
Você não vai ter para onde fugir

Choverão bolas de fogo
Os prédios cairão
Não tente correr,
Pare de chorar,

Ponha pra tocar aquela velha canção pra tocar
E então dance, dance
Esta com certeza vai ser a sua última chance

Dance, dance
Tá tudo dominado
Agora pule até que o corpo se canse

Quando começar o desfile
Das bestas do Armagedon
Setecentas cabeças cheias de chifres
Prontas pra cumprir a vingança dos bons

Por trás das nuvens de fumaça
A profecia se realizará
Não tente fugir,
Oh, não chore, não

Ponha pra tocar aquela velha canção
E então dance, dance
Pecado vai ser você perder a sua última chance

Dance, dance
Tá tudo dominado
Agora pule até que o corpo se canse